O maior inimigo do pensamento autoritário é o pensamento livre.
( Sergio Arouca, 1941-2003)

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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Migrationsverket


Gente, mal posso descrever minha felicidade. Depois de quase 14 meses esperando um visto de residência e trabalho para poder ir viver minha vida com meu sueco, ele foi finalmente aprovado. E foi um processo rápido de decisão, pois na quarta-feira não tínhamos sequer um responsável pelo nosso caso, o que significa que a pasta nem tinha sido aberta ainda para análise de documentação. Mas então, uma surpresa agradável na segunda-feira, o meu esposo me envia uma mensagem dizendo que recebeu um email da Migrationsverket ( Orgão de imigração da Suécia) dizendo que nosso caso já tinha uma resposta mas por medida de segurança só poderia ser dado informação pelo telefone. Mas como o fuso-horário Brasil-Suécia são cinco horas de diferença, o orgão já estava em final de expediente e meu esposo não conseguiu chamada para saber se tínhamos uma resposta positiva ou negativa. Assim que eu soube, liguei para o Consulado Sueco no RJ para saber a decisão, e foi um grande Positivo. A palavra mais bonita que ouvi na vida. Felicidade indescritível.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Migrationsverket - o pior orgão sueco

Hoje faz 13 meses e 17 dias que dei entrada no meu visto sueco. Sinto muita raiva do serviço de imigração sueco porque simplesmente eles não se importam com a distância que sofro longe do meu marido. O processo todo é demorado e nada justo, sendo que pelas novas regras quem deu entrada a partir de 20 de julho obtém o visto mais rapidamente. ( de 5 a 8 meses pelo que tenho observado).
Eles culpam a grande onda de imigrantes pelo aumento no tempo de espera na fila, eu culpo a falta de competência e planejamento das autoridades suecas. Até meu esposo, que em geral é super tranquilo, já se aborreceu com a quantidade de emails e ligações que fez para este orgão apenas na tentativa de que alguém ao menos abra nossa pasta e visualize nosso processo. Na Suécia, não importa muito se você é casado ou não. É possível pedir o visto de residência apenas tendo um relacionamento estável. E acredite: o visto para namorados ou casados não sofre qualquer distinção. O tempo de espera é o mesmo. E vc não precisa casar para morar na Suécia. Creio que essas medidas visem proteger os cidadãos suecos de casamentos apenas por interesse, ou talvez seja apenas algo cultural mesmo. Sei lá. Mas casamento para eles no papel não tem muita diferença. Vemos muitos casais com filhos e morando juntos por anos sem nunca terem se casado. Mas isso era importante pra mim e por isso eu e meu sueco decidimos casar. E também para que eu não pirasse com esse longo tempo de espera do visto sueco. Ajudou a distrair mas depois de quase 14 meses esperando este visto eu começo a fica extremamente cansada e me perguntando por que não moramos logo no Brasil ao inves de ficar dependendo de uma instituição pública em outro país que sequer nos dá atenção. Mas daí lembro que ser pobre na Suécia é melhor que ser classe média no Brasil e penso na qualidade de vida para criar os filhos que estamos planejando para o próximo ano.
Meu sueco e eu conversamos muito sobre isso, futuro e filhos mas isso pra outro post. Vou tentar escrever no blog com mais frequencia contando um pouco mais do meu sofrimento e peregrinação nas mãos da agencia de imigração sueca ( Migrationsverket) e todo este processo de mudança de país. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Meu casamento

Nossa história começou em um outono em Buenos Aires. Ele sueco, eu brasileira, ambos de férias na cidade do tango. 
Desde o primeiro beijo foi impossível nos distanciarmos. Então, ele entrou escondido na minha mala e veio para o Brasil. Aprendeu português e começou a falar "égua". Mas um dia foi preciso voltar para Europa e então nós decidimos que era a minha vez de fazer as malas. Foram muitas idas e vindas. Muitas milhas acumuladas em TAP, TAM...Outros meses sem se ver. Outros meses matando a saudade. Skype, facebook e whatsapp ajudaram bastante também. Percebemos que a distância é um detalhe quando se ama. 
Casamos e decidimos partilhar a mesma estrada, seguindo juntos com muito amor e respeito. Obrigada por me ensinar o que é o amor. Te amo, te admiro e te desejo com todo meu coração meu sueco lindo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sobre ex

Resultado de imagem para não olhe pra trás não é pra lá que você vai
Sobre o texto de Duvivier para Clarice tratando de saudosismo de relacionamentos passados só tenho a dizer que isso é falta do que fazer. O que passou, passou. Acabou. Não sinto saudade de ex. Um único que seja. Por muito tempo senti saudade de um primeiro namorado. Até que um dia, num reencontro ocasional muitos anos depois, eu entendi que o que tivemos nunca mais voltaria. Ele não era mais o mesmo. Eu não era mesma menina. As circunstâncias não eram mais as mesmas. Em outra ocasião tentei ficar amiga de ex, um ex de um relacionamento que durou muitos anos, mas então percebi que ele arrumou uma nova namorada e me procurava apenas quando precisava de alguém para massagear seu ego. Nunca tivemos recaídas. Mas eu simplesmente aprendi que não valia a pena sustentar uma "amizade" unilateralmente. É vida que segue. O resto...bom foi resto. Aprendi, cresci, pensei sobre meus erros mas nada que acho que vale a pena ser revivido. Lições que já foram aprendidas não precisam ser revistas (os). Os erros que cometi já consegui me perdoar. Isso mesmo: me perdoar. Porque as vezes o mais difícil não é pedir perdão. É perdoar a si mesmo por falhas que deixaram o relacionamento em "xeque-mate". Mas nunca fui leviana com meus sentimentos. Tentei fazer com que meus relacionamentos dessem certo até o ultimo suspiro. As vezes a massagem cardíaca ainda se estendia mesmo depois de declarado a hora-morte da relação. Eu chorei e pranteei tudo que foi necessário prantear em cada relacionamento fracassado. Revi comportamentos e muitas vezes me julguei e fui dura comigo mesma. Mas a idade...ahh a idade. ( pode ter sido um novo amor também) abrandou tudo em mim que eu odiava continuar a refletir. Aprendi a praticar a benevolência para comigo. Ser gentil e paciente com meu coração. Esperar o tempo dele. E nesse tempo aprendi que não, não é preciso falar de ex e nem com ex. Aprendemos juntos mas passou. E como dizia aquele famoso poeta contemporâneo: Ado- Aaaado - Cada um no seu quadrado. 

terça-feira, 5 de abril de 2016

As sutilezas da Verdade - Yoskhaz

O Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo da Ordem, cuidava do jardim no pátio interno do mosteiro quando chegou um homem que nos procurou em busca de amparo às suas aflições. Sentia-se atormentado com uma série de atitudes do passado que, agora, vinham lhe corroer a consciência. O Velho fez sinal para que eu mesmo o atendesse sentado à sombra da roseira. O homem me contou uma triste história onde impusera dor e sofrimento a outras pessoas. Indignado, fui duro em minhas palavras, sem poupar a minha revolta pelo que acabara de ouvir. Visivelmente constrangido, o homem agradeceu, por educação, não por sentimento, se levantou e foi embora. O monge que a tudo assistira, disse: “A sabedoria milenar nos ensina que ‘não é não; sim é sim’, mas temos a escolha de dizer a verdade com mel ou com fel”. Retruquei dizendo que não podemos vacilar com a verdade. Dura ou amarga ela tem que ser dita. “Nesse caso, ele tinha a exata medida dos equívocos do passado, precisando mais de compaixão do que de reprimenda”, o monge expôs seu ponto de vista.
O Velho repousou o alicate no bolso, me ofereceu um sorriso bondoso e falou: “A verdade será sempre um valioso remédio. Como todo medicamento, a dose inadequada se torna veneno”.
“A verdade é terapia essencial de cura. Impossível atravessar o Caminho sem nos aliarmos a ela. Somente a verdade ilumina as feridas que tanto incomodam, mas ainda não diagnosticamos”.
“Todavia, a escolha das palavras, a maneira e o momento de falar são posologias desse valioso remédio. Não podemos nos reportar a todos de um único jeito ou na mesma hora. Alguns já são capazes de suportar doses maiores, em outros, temos que começar ministrando pequenas gotas, para que não haja rejeição, casos em que almas embrutecidas e despreparadas entram em colapso e se negam a prosseguir em tratamento de cura”. Deu uma pequena pausa e disse: “Lembre-se que a verdade absoluta nos aguarda em estação distante. Ela vai se apresentando passo a passo, para todos, sem distinção, na medida do andar e do ritmo de cada um no Caminho. Não é diferente para mim ou para você”, disse o Velho.
Contrariado, provoquei dizendo que, em alguns casos, talvez fosse melhor mentir. Ele arqueou os lábios em leve sorriso ao perceber a minha intenção e falou sem perder a calma: “Penso que jamais devemos mentir. A mentira sempre será um elemento da escuridão por enevoar a realidade, iludir o andarilho e atrasar a viagem. A mentira é uma profunda falta de respeito tanto para o autor quanto ao destinatário”.
“No entanto, você deve ter a exata dimensão de qual sentimento te move antes de proferir qualquer palavra. A sua intenção é usar a verdade para curar ou para ferir? Não raro vejo a verdade sendo usada apenas para impor sofrimento, sem qualquer função educativa. Casos, estes, em que é melhor calar. Não se esqueça que sempre poderemos utilizar uma boa ferramenta para o bem ou para mal. Usa-se o martelo tanto na construção quanto na demolição”.
Naquele momento me senti desorientado e confessei que não sabia como agir em situações, por vezes, bastante delicadas. O monge tinha a pele bastante vincada pelo tempo, marcas de muitas lutas, que serviam de interessante moldura para os seus olhos, ainda brilhantes e repletos de bondade. Ele disse com seu tom de voz sempre sereno: “Assim como não podemos revelar todo o conhecimento para uma criança que acaba de entrar no colégio, por ela precisar de maturidade e aprendizado sobre certas disciplinas para entender outras de maior complexidade, muitos de nós ainda estamos na infância da alma. É inútil ensinar o cálculo de uma raiz quadrada para alguém que ainda não domina as quatro operações básicas. A pedagogia de ensino para um universitário é diversa para aquele que ainda está nas classes primárias. Para cada qual a lição exata, a medida e a maneira de revelar a verdade, de acordo com a capacidade de percepção do aprendiz”.
O Velho segurou em meu braço e me fez caminhar com ele pelo jardim enquanto continuava a falar: “Como poderosa lanterna, a verdade traz o poder de mostrar as sombras que nos habitam e dominam. Estas são as feridas que precisam de medicamento e cura. Nem sempre é agradável ver. Há que se ter coragem e, acima de tudo, temos que estar prontos para enfrentar um inimigo sagaz: cada qual na tentativa de iludir a si próprio sobre a justificativa de seus erros. Nossas sombras iludem a consciência, pois para sobreviver se fingem protetoras a manipular o ego, que por defesa repudiará a verdade”.
“A verdade é um instrumento que deve ser bem aproveitado tamanho é o seu valor. Por sua sutileza, deve ser afinado pelo diapasão do coração, dedilhado com a sensibilidade da sabedoria. Sem esquecer que não se compõe uma sinfonia em um único dia. Yoskhaz, a paciência é uma bela e indispensável virtude, companheira inseparável da verdade”.
Ainda tentando alocar as ideias em minha mente, citei uma expressão popular que diz que ‘a ignorância protege’. O Velho riu com vontade e depois me disse: “A ignorância nunca protege, apenas ilude e aprisiona em falsa sensação de segurança. É como manter um pássaro em uma gaiola sob a alegação de resguardá-lo dos perigos do mundo. É como se o desconhecimento da existência de um problema o fizesse desparecer. É como se o fato de esconder a doença de um paciente fosse capaz de levá-lo à cura. Enfim, pura bobagem”!

Deu uma pequena pausa e finalizou: “A verdade é a ponte necessária para alcançarmos a imensidão da liberdade e a grandeza da justiça. Sem aquela não teremos estas. Essa ponte está à disposição de todos, mas não fácil percorrê-la. Alta e extensa, é preciso coragem para atravessar sobre o enorme abismo das atraentes sombras; delicada e sutil, necessita de sabedoria para abdicar de muitas coisas tangíveis, que tanto pesam, em prol das belezas invisíveis que conferem leveza;  e, por fim, por estar tão sujeita às intempéries da vida, torna indispensável o amor na sutileza de entender que essa travessia, muitas vezes, é solitária, pois nem todos, neste instante, possuem o equilíbrio necessário para manter os passos até o outro lado”.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Namorar um sueco é...


Tudo começou em Janeiro de 2014. Eu ansiava por uma mudança. O trabalho estava chato, a vida amorosa estava chata (um caos seria a palavra ideal) e minha vida social uma bagunça sem igual. Primeiro, pensei em mudar de trabalho, mas levei a porta fechada no meio da cara. "Ok, portas fechadas acontecem. Nada fora do normal." pensava tentando ser otimista, o que não é uma das minhas melhores qualidades.(queria mesmo era enfiar a cara num buraco feito um avestruz e esperar que ninguém me notasse) . Resolvi que era hora de viajar, e mesmo estando atolada em trabalho e na pior época que eu poderia escolher para viajar, eu pedi minhas férias, que estavam sendo adiadas há pelo menos dois anos e (amém) fui atendida. A passagem foi escolhida para o local mais barato e legal que eu consegui: Buenos Aires. A cidade é bela e particularmente um dos meus passeios favoritos. (recomendadíssimo). Mas dessa vez, queria mesmo era fazer um mochilão sozinha. Escolhi fazer a trilha dos B's: Belém/PA - Buenos Aires - Bariloche - Buzios - Belém. O voo de volta para o Brasil sairia de Bariloche. Então o plano era chegar em Buenos Aires e fazer o percurso de ônibus parando nas cidades que me parecessem mais atraentes. Com a passagem e o mapa da Argentina todo rabiscado na mão, parti rumo a Buenos Aires. 
Ahhh Buenos Aires, a cidade do Tango, do fernet, do romantismo (para todos os outros menos pra mim). Fiquei no Hostel de sempre mas (in)felizmente não tinha quarto só para mulheres. Como pretendia partir logo cedo, não me importei em ser alocada em um quarto com homens e mulheres. Cheguei por volta de meio-dia e precisava descansar do voo. Fui para meu quarto deitar e rabiscar um pouco sobre meus planos. Estava sozinha. Não tinha intenção nenhuma de sair naquele dia. Partiria bem cedo para a rodoviária. Mas o destino prega peças na gente e muda nossos planos sem nosso consentimento. Naquela mesma tarde, entrou naquele quarto o par de olhos mais lindos que eu já havia visto. E por uns poucos segundos o mundo parou de girar. Eu lembro de como não conseguia enxergar outra coisa além dos olhos dele. Como diria chaves: fiquei hipopotizada. rsrs 
Em algumas horas descobri o nome, a nacionalidade(sueco), que era da minha idade e solteiro. Ligando o modo "guerra"(esse botão estava com teia de aranha) eu precisava faze-lo querer me beijar. Com discrição e muito artimanha feminina eu tentava criar situações onde ele tivesse o desejo de sentir o gosto do meu batom (tentei o de framboesa,laranja, morango...). Mas o moço era desatento e incrivelmente respeitador (droga), e 3 dias se passaram sem que eu conseguisse nenhum avanço. A essa altura do campeonato, eu já tinha desistido de todos os outros planos de viagem. Buenos Aires é linda mesmo. Eu posso ir conhecer os pontos turísticos....de novo. Restaurantes, praças, museus...eu sou uma excelente guia turístico. E ele me achando amável e agradável, sem saber dos meus planos maquiavélicos, imaginando aqueles lábios rosados e barba vermelha roçando pelo meu pescoço, me beijando deliciosamente, sussurrando em meu ouvido (na época ele não falava português), aqueles olhos azuis me despindo...essa minha mente tem uma incrível capacidade criativa (leia-se imaginar perversões).  
Ao final do 3º dia, eu consegui a oportunidade perfeita: uma festa organizada pelo hostel. Eu posso embebeda-lo, beija-lo e... (Pelas leis da Argentina isso seria Estupro? Sei lá.É bom ter um código penal do país em que estamos passeando)  
Eu era uma das poucas mulheres na festa, então não foi difícil receber os galanteios de outros homens até de nacionalidades diferentes (lembro de um americano e de um uruguayo), mas o problema(?) é que eu só tinha olhos para o sueco, aquele sueco. Nenhum outro. Passaria despercebido por mim se Richard Gere estivesse ali pedindo meu telefone. 
Todos os meus artifícios (confesso que até para decotes eu apelei) e até o melhor batom não foram suficientes. Fiquei sem ideias. Sinceridade! Foi a ultima coisa que consegui pensar: "Não sou interessante para você? Um beijo seria pedir demais?". Ele me olhou com um jeito meio desconcertado. Eu não tinha certeza se era o correto a fazer ou se era efeito da bebida me dando coragem pra fazer uma pergunta dessas. Mas funcionou. Ele me beijou. E fez um único comentário que me fez ter a certeza de ter ganhado o jogo: "que lábios mais suaves".  Eu consegui. AHA! Alvo atingido, coronel. Acertamos em cheio. Gooooooooolllll! 
E ele se tornou o homem mais carinhoso, mais atencioso, mais apaixonado que eu já conheci. Daquele dia em diante eu nunca mais acordei sem receber um beijo de bom dia e boa noite dele mesmo a distância. Eu tinha certeza que era ele. O homem certo e fui atrás. Nunca estive tão feliz de ter insistido em algo que eu tinha certeza. Aqueles olhos azuis escondiam algo que eu não sabia explicar, apenas sentir. Ele voltou para Belém comigo, onde passamos 1 ano e seis meses juntos. 
 Faremos dois anos juntos este mês, planejando um casamento e uma nova vida na Suécia. Viajei para conhecer meus sogros e nova família. Fui tratada tão bem que não sobra espaço para dúvidas do que eu quero. Fazer dele o homem mais feliz do mundo assim como ele me faz. 
E tudo começou em um outono qualquer em Buenos Aires, passou pelo verão escaldante Brasileiro, viajou pelo inverno rigoroso da Europa ( com direito a pedido de casamento em um cruzeiro pelo mar baltico) para terminar no inicio de uma nova vida na primavera Sueca. Amor de verdade existe, eu apenas não havia tido o prazer de conhece-lo. 




sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Suécia

A Suécia é um reino escandinavo de nove milhões de habitantes, dos quais quase dois milhões vivem dentro e ao redor da capital, Estocolmo. A Suécia urbana é moderna, elegante e segura. A Suécia rural respira tranquilidade e a Suécia natural abriga algumas das maiores áreas desabitadas na Europa Ocidental. Embora o extremo norte do país esteja acima do Círculo Polar Ártico, seu clima é temperado, com verões alcançando 30 graus e invernos com 40 graus negativos.
País líder na conservação ambiental, a Suécia possui grande beleza cênica. Mais da metade de seu território é coberto por florestas, enquanto rios e lagos compõem 10% de sua superfície. Na política internacional, a Suécia tem construído reputação como nação mediadora. O país assume não-alinhamento em conflitos internacionais e se esforça para oferecer refúgio seguro para debate diplomático entre facções rivais em todo o mundo. Como resultado, os suecos viram uma longa lista de importantes cargos internacionais confiadas a seus concidadãos.
Apesar de suas riquezas naturais, a Suécia é um país construído por pessoas. Durante o último século, a dependência sueca da madeira e do minério de ferro deu lugar a uma ênfase em recursos humanos. Hoje, o conhecimento é trunfo da Suécia, com a educação mantida no domínio público e desenvolvida a um padrão que a classifica entre as mais altas nas estatísticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para mais informações sobre a Suécia consulte Sweden.se – o portal oficial da Suécia.

Sociedade sueca

A Suécia continua a ser um dos países mais igualitários em termos de distribuição de renda e tem um dos níveis de pobreza mais baixos do mundo. Ela aparece no topo do Índice de Desenvolvimento Humano, que classifica os países de acordo com expectativa de vida, educação e padrão de vida. Embora os suecos paguem altos impostos para manter seu premiado sistema de bem-estar social, não são as pessoas mais tributadas no mundo.
A Suécia conseguiu criar um equilíbrio entre igualdade social e sucesso econômico. A educação é gratuita (exceto para creches e ensino superior, que são parcialmente financiadas pelo governo), a saúde é barata, o cuidado de crianças é universal e as ruas são limpas.

Estilo de vida sueco

O estilo de vida sueco reúne amor à natureza, boa habitação, pensamento ambiental e muita cultura. Eficiência é combinada com uma atitude descontraída e tradições antigas misturadas com abertura para novas tecnologias. Suecos em geral trabalham duro, mas valorizam ​​seu tempo livre e desfrutam de longas férias relaxantes.
O estilo de vida sueco varia muito com as estações. Durante os meses mais escuros do inverno, há luzes nas janelas e noites no cinema, e esportes de inverno durante o dia. Na primavera e no verão, a vida é ao ar livre: festivais de música, teatros e museus ao ar livre são populares.
Tradições como o Midsummer, em junho, e a festa de Santa Lucia, em dezembro, são de grande importância para os suecos, e celebradas hoje com o mesmo entusiasmo de outras gerações. Esse sentido de tradição é misturado com uma mente aberta para outras culturas, em virtude do fato de que um quinto da população tem raízes em outros países, de que os suecos viajam muito e falam outras línguas.
A partir de uma combinação de clima com um inverno rigoroso e luz intensa no verão, a nasceu comida caseira sueca. Ela é repleta de delícias. Uma grande variedade de ingredientes frescos fazem parte do cardápio sueco, entre eles frutos do mar, aves, cordeiro, carne bovina, carne de vitela e caça selvagem. Os métodos tradicionais de defumação, fermentação, salga, secagem, marinagem e caça furtiva oferecem sensações únicas ao paladar. Paisagens únicas e áreas cultivadas se estendem de norte a sul da Suécia, assim como extensas florestas. As florestas e zonas húmidas não só favorecem a caça selvagem, mas também oferecem uma sorte de cogumelos, groselhas, mirtilos e amoras. Os suecos que passam o verão colhendo frutas e ervas variam os temperos e sabores das quentes e saudáveis sopas de inverno. A culinária caseira sueca é surpreendente e saborosa.

Fonte: https://studyinsweden.se/study-information/ciencia-sem-fronteiras/sobre-a-suecia/

Em todas as bençãos que tive, você foi a maior delas.

 Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.







segunda-feira, 12 de janeiro de 2015


Contei meus anos e descobri que tenho menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. 
Tenho muito mais passado do que futuro. 
Então, já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero reuniões em que desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos cobiçando o lugar de quem eles admiram.
Já não tenho tempo para conversas inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas idosas, mas ainda imaturas.
Detesto pessoas que não debatem conteúdos, mas apenas rótulos!...
Quero viver ao lado de gente que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.
Quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
Apenas o essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial
Mário de Andrade

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Suposta Autoria de L.F.Veríssimo (mas eu não tenho certeza, hein)

“Me disseram “Você anda sumido” e me dei conta de que era verdade. Eu também, fazia tempo que não me via. O que teria acontecido comigo? Não me encontrava nos lugares em que costumava ir. Perguntava por mim e as pessoas diziam “É verdade, você anda sumido”. E “Que fim levou você?” Eu não tinha a menor ideia que fim tinha me levado. A última vez em que me vira fora, deixa ver… Eu não me lembrava! Eu teria morrido? Impossível, na última vez em que me vira eu estava bem. Não tinha, que eu soubesse, nenhum problema grave de saúde. E, mesmo, eu teria visto o convite para o meu enterro no jornal. O nome fatalmente me chamaria a atenção. Eu podia ter mudado de cidade. Era isso. Podia ter ido para outro lugar, podia estar em outro lugar naquele momento. Mas por que iria embora assim, sem dizer nada para ninguém, sem me despedir nem de mim? Sempre fomos tão ligados. No outro dia fui a um lugar que eu costumava frequentar muito e perguntei se tinham me visto. Não era gente conhecida, precisei me descrever. Não foi difícil porque me usei como modelo. “Eu sou um cara, assim, como eu. Mesma altura, tudo”. Não tinham me visto. Que coisa. Pensei: como é que alguém pode simplesmente desaparecer desse jeito? Foi então que comecei, confesso, a pensar nas vantagens de estar sumido. Não me encontrar em lugar algum me dava uma espécie de liberdade. Podia fazer o que bem entendesse, sem o risco de dar comigo e eu dizer “Você, hein?”. Mudei por completo de comportamento. Me tornei - outro! Que maravilha. Agora, mesmo que me encontrasse, eu não me reconheceria. Comecei a fazer coisas que até eu duvidaria, se fosse eu. O que mais gostava de ouvir das pessoas espantadas com a minha mudança era: “Nem parece você”. Claro que não parecia eu. Eu não era eu. Eu era outro! Passei a me exceder, embriagado pela minha nova liberdade. A verdade é que estar longe dos meus olhos me deixou fora de mim. Ou fora do outro. E um dia ouvi uma mulher indignada com o meu assédio gritar “Você não se enxerga, não?” E então, tive a revelação. Claro, era isso. Eu não estava sumido. Eu simplesmente não me enxergava. Como podia me encontrar nos lugares onde me procurava se não me enxergava? Todo aquele tempo eu estivera lá, presente, embaixo, por assim dizer, do meu nariz, e não me vira. Por um lado, fiquei aliviado. Eu estava vivo e bem, não precisava me preocupar. Por outro lado, foi uma decepção. Concluí que não tem jeito, estamos sempre, irremediavelmente, conosco, mesmo quando pensamos ter nos livrado de nós. A gente não desaparece. A gente às vezes só não se enxerga.”

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sem testemunhas - Olavo de Carvalho

"Albert Schweitzer, em "Minha infância e mocidade", lembra o instante em que pela primeira vez sentiu vergonha de si. Ele tinha por volta de 3 anos e brincava no jardim. Veio uma abelha e picou-lhe o dedo. Aos prantos, o menino foi socorrido pelos pais e por alguns vizinhos. De súbito, o pequeno Albert percebeu que a dor já havia passado fazia vários minutos e que ele continuava a chorar só para obter a atenção da platéia. Ao relatar o caso, Schweitzer era um septuagenário. Tinha atrás de si uma vida realizada, uma grande vida de artista, de médico, de filósofo, de alma cristã devotada ao socorro dos pobres e doentes. Mas ainda sentia a vergonha dessa primeira trapaça. Esse sentimento atravessara os anos, no fundo da memória, dando-lhe repuxões na consciência a cada nova tentação de auto-engano. Notem que, em volta, ninguém tinha percebido nada. Só o menino Schweitzer soube da sua vergonha, só ele teve de prestar contas de seu ato ante sua consciência e seu Deus. Estou persuadido de que as vivências desse tipo - os atos sem testemunha, como costumo chamá-los - são a única base possível sobre a qual um homem pode desenvolver uma consciência moral autêntica, rigorosa e autônoma. Só aquele que, na solidão, sabe ser rigoroso e justo consigo mesmo - e contra si mesmo - é capaz de julgar os outros com justiça, em vez de se deixar levar pelos gritos da multidão, pelos estereótipos da propaganda, pelo interesse próprio disfarçado em belos pretextos morais. A razão disso é auto-evidente: um homem tem de estar livre de toda fiscalização externa para ter a certeza de que olha para si mesmo e não para um papel social - e só então ele pode fazer um julgamento totalmente sincero. Somente aquele que é senhor de si é livre - e ninguém é senhor de si se não agüenta nem olhar, sozinho, para dentro de seu próprio coração. Mesmo a conversa mais franca, a confissão mais espontânea não substituem esse exame interior, porque aliás só valem quando são expressões dele, não efusões passageiras, induzidas por uma atmosfera casualmente estimulante ou por um sincerismo vaidoso. Mais ainda, não é apenas a dimensão moral da consciência que se desenvolve nesse confronto: é a consciência inteira - cognitiva, estética, prática. Pois ele é ao mesmo tempo aproximação e distanciamento: é o julgamento solitário que cria a verdadeira intimidade do homem consigo mesmo e é também ele que cria a distância, o espaço interior no qual as experiências vividas e os conhecimentos adquiridos são assimilados, aprofundados e personalizados. Sem esse espaço, sem esse "mundo" pessoal conquistado na solidão, o homem é apenas um tubo por onde as informações entram e saem - como os alimentos - transformadas em detritos. Ora, nem todos os seres humanos foram brindados pela Providência com a percepção espontânea e o julgamento certeiro de seus pecados. Sem esses dons, o anseio de justiça se perverte em inculpação projetiva dos outros e em "racionalização" (no sentido psicanalítico do termo). Quem não os recebeu de nascença tem de adquiri-los pela educação. A educação moral, pois, consiste menos em dar a decorar listas do certo e do errado do que em criar um ambiente moral propício ao auto-exame, à seriedade interior, à responsabilidade de cada um saber o que fez quando não havia ninguém olhando. Durante dois milênios, um ambiente assim foi criado e sustentado pela prática cristã do "exame de consciência". Há equivalentes dela em outras tradições religiosas e místicas, mas nenhum na cultura laica contemporânea. Há as psicanálises, as psicoterapias, mas só funcionam nesse sentido quando conservam a referência religiosa à culpa pessoal e ao seu resgate pela confissão diante de Deus. E, à medida que a sociedade se descristianiza (ou, mutatis mutandis, se desislamiza, se desjudaíza etc.), essa referência se dissolve e as técnicas clínicas tendem justamente a produzir o efeito oposto: a abolir o sentimento de culpa, trocando-o ora por um endurecimento egoísta confundido com "maturidade", ora por uma adaptatividade autocomplacente, desfibrada e cafajeste, confundida com "sanidade". A diferença entre a técnica religiosa e seus sucedâneos modernos é que ela sintetizava numa mesma vivência dramática a dor da culpa e a alegria da completa libertação - e isto as "éticas leigas" não podem fazer, justamente porque falta nelas a dimensão do Juízo Final, da confrontação com um destino eterno que, dando a essa experiência uma significação metafísica, elevava o anseio de responsabilidade pessoal às alturas de uma nobreza de alma com o qual as exterioridades da "ética cidadã" não podem nem mesmo sonhar. Há dois séculos a cultura moderna vem fazendo o que pode para debilitar, sufocar e extinguir na alma de cada homem a capacidade para essa experiência suprema na qual a consciência de si é exigida ao máximo e na qual - somente na qual - alguém pode adquirir a autêntica medida das possibilidades e deveres da condição humana. A "ética laica", a "educação para a cidadania" é o que sobra no exterior quando a consciência interior se cala e quando as ações do homem já nada significam além de infrações ou obediências a um código de convencionalismos e de interesses casuais. "Ética", aí, é pura adaptação ao exterior, sem outra ressonância íntima senão aquela que se possa obter pela internalização forçada de slogans, frases feitas e palavras de ordem. "Ética", aí, é o sacrifício da consciência no altar da mentira oficial do dia." "Sem testemunhas" Olavo de Carvalho O Globo, 22 de julho de 2000 Fonte: www.olavodecarvalho.org

terça-feira, 27 de maio de 2014

Porque toda mulher goza, primeiramente, pela mente.

O sexo para a mulher, começa muito antes da cama e termina muito depois dela. Apesar de alguns homens estarem conscientes desse fato, poucos realmente o levam a sério. Mal sabem quantas oportunidades estão desperdiçando. Sempre conto esse segredo para os homens que atendo no meu consultório, inclusive me apoiando em depoimentos preciosos dados por mulheres com quem já conversei, como os abaixo:
“Não foi o tamanho do pau dele que me impressionou, mas a maneira como de manhã ele tratou aquela senhora que mal conseguia atravessar a rua. Sua delicadeza me deixou super-excitada.”
 ”Ele se esforçou como um guerreiro, até broxou, mas foi a dignidade de olhar nos meus olhos e dizer que estava ansioso por me deixar molhada que me cativou para ter mais sexo com ele.”
 ”Quando ele colocou gentilmente minha cabeça sobre o braço dele sem me fazer correr dali como uma vagabunda eu soube que ele seria o pai dos meus filhos. E foi.”
Não quero dizer que os corpos, as línguas, os toques e a força não contam para impressionar, mas a qualidade determinante está muito longe dos lençóis. A mulher goza, primeiramente, pela mente. É pela personalidade dele que elas se apaixonam. Pintos existem muitos, mas pessoas incomuns são raras. Ela até pode querer saborear uma foda incrível com um cara patético, mas entre essa rapidinha e o caráter de um aprendiz, ela prefere trabalhar em cima do valor que o principiante tem. E esse pequeno fator que faz a mente de uma mulher gozar é negligenciado pela maioria dos homens.
A mulher transa com uma narrativa que vai sendo tecida para além do desejo sexual –ela não é fisgada pela potência genital do homem, mas pela sua capacidade de penetrar o mundo. Não é da broxada, da falência e do erro que ela foge, mas dá incapacidade de reagir, retomar e se soerguer. A possibilidade de poder viver uma jornada ao lado de um homem incrível, a excita mais do que bombadas dadas por um cara de pinto grande. É por isso que, na maioria das vezes em que uma mulher recusa o sexo, ela está procurando o algo mais naquele homem. É um desafio para que ele tire a venda que está em seu coração e a penetre com o corpo todo, não só com o penis.
Ela se aborrece não pela ejaculação precoce, mas pelos olhos desconcentrados e a preocupação em parecer poderoso só para si mesmo. Ela fica seca com o egoísmo que a desconsidera como parte essencial do prazer do casal. Ela esfria quando ele tenta romper a meia luz envergonhada, por conta de uma dobrinha a mais, só para ver pornograficamente tudo as claras. Ela broxa se a mão dele está desatentamente gelada na hora do toque ou se ele nem se deu ao trabalho de aparar as unhas para masturbá-la. Não é com o tapa da bunda que ela se ofende, mas com a cegueira emocional de um homem tão autocentrado que nem a si mesmo enxerga. Degustar cada espaço, reparar no detalhe comum da dobra atrás do joelho, brincar com a água que espirra debaixo do chuveiro são êxtases silenciosos e superficialmente não sexuais. Para um olhar condicionado é apenas um ato comum.
O que esfria a mulher é quando a cama é só cama, de madeira, molas, espuma, genitais e movimento. O que a incendeia, ainda que ela diga que também gosta de sexo impessoal, é perceber pelo brilho nos olhos dele, que ele a enxergou por trás da bunda grande ou das coxas torneadas.

Texto de Frederico Mattos
Fonte: http://www.casalsemvergonha.com.br/2012/04/10/porque-toda-mulher-goza-primeiramente-pela-mente/ 

quarta-feira, 26 de março de 2014

"Isso é comentário de mulher mal-comida" disse o "homem de verdade".


- Tá tão bom esse jantar que você já pode casar!
A frase pousou na mesa de jantar tão leve quanto é possível para um golden retriever sujo e molhado, que sai correndo do jardim e, sem muita noção do próprio tamanho, lambuza todos à sua volta.
A bem da verdade, ela recebera a contragosto aqueles convidados. Pedido do chefe, que queria usar a sua melhor repórter para aumentar o interesse do pessoal da área comercial e de agências de publicidade com o jornalismo online que produziam. Então, reuniu velhos amigos para uma conversa sobre perspectivas do mercado digital – ou alguma abobrinha semelhante – e pediu o favor.
O problema é que ela não era a sua melhor repórter à toa.
- Oi, como disse?
- Que tá tão bom esse jantar que você já pode até casar.
- Desculpe, não entendi.
- Ah, é uma expressão antiga. Você já tem tudo que se espera...
- ... de uma mulher?
- Não de uma boa...
- ...dona de casa?
- Não, de alguém que...
- ... que existe para servi-lo?
Percebendo aonde isso ia dar, o chefe tentou jogar panos quentes.
- Quando se cansar do jornalismo, a Clarice* pode abrir um restaurante!
Mas aí já era tarde demais.
Dado os comentários que o incômodo convidado fez, mangando da reação da anfitriã, os papeis já haviam sido identificados. E se ele fosse desempenhar o do "porco", ela não ficaria na plateia batendo palmas como a "submissa".
Após o jantar e a sobremesa, todos foram para a sala de estar a fim de beber e jogar conversa fora. Lá, o convidado, para provocar ainda mais, começou a cometer impropérios sobre o lugar do homem e da mulher, piadinhas a respeito do gênero de produtos de limpeza e reflexões sobre o que é ser um "homem de verdade" nesse mundo confuso.
O único momento em que se dirigiu a Clarice foi para perguntar:
- Poxa, mas meu cálice está seco há um século.
- Desculpe! Mas como você está falando besteira há tanto tempo, achei que já havia bebido demais.
- Isso é comentário de mulher mal-comi...
Antes que pudesse terminar a frase, um cálice de tinto chileno – de boa safra, diga-se de passagem – voou em sua camisa branca. E algumas pessoas que estavam no jantar, mesmo com a memória afetada pelo álcool, juram que tudo teria terminado em furdúncio se o sujeito não tivesse sido controlado pelos demais.
- Vagabunda! Mulher não me trata assim – esbravejou, antes de sair porta afora e noite adentro.
- Acostume-se, o mundo mudou! – ainda gritou ela.
O chefe ponderou com ela que, apesar do cara ser um idiota, ela deveria se controlar mais:
- Por sorte, ele não era de uma agência grande...
- Não, você não está entendendo. Por sorte, o que eu tinha na mão era uma taça de vinho, não alguma coisa pesada ou cortante.
Ouvi a história de um dos envolvidos e achei interessante contar. Porque a reação de alguns dos presentes foi de que ela se destemperou e não de que o maluco em questão havia extrapolado os limites da convivência. De que foi "errado" e "violento" jogar o vinho nele, que só estava "dando sua opinião" sobre esses assuntos. Manchar uma camisa é violência. Reafirmar simbolicamente o machismo que mata, decepa, esfola e machuca, não.
Eu sei, eu sei... Mundo bizarro este em que vivemos.
A verdade é que a percepção de que ele estava errado só vai entrar na cabeça de algumas pessoas quando mais cenas como essa ocorrerem. Silêncio ou risinhos envergonhados são respostas mais fáceis no curto prazo. Enfrentar e contestar, por outro lado, mudam tudo.
(*) Troquei o nome real para Clarice porque adoro a Clarice Lispector.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Quem ama, cuida.


A gente demora pra aceitar, arruma novecentas desculpas para a falta de jeito do outro. "Ah, ele é confuso", "Ah, ele está tenso", "Ah, ele tem medo", "Ah, ele é maluco"...
Desculpa, mas quem quer estar junto pensa "ah, que saudade", "ah, que falta ela me faz". Quem gosta, gosta. Sem complicações. Sem armações e armaduras.”

(Clarissa Corrêa)

sexta-feira, 21 de março de 2014

Nota de esclarecimento

Depois de refletir um pouco a respeito, eu decidi expor publicamente uma situação muito chata que tenho vivido. E não porque seja da conta de alguém, mas simplesmente porque eu cheguei a conclusão de que dividir isto pode me fazer bem e servir de exemplo a outras pessoas também, casadas ou solteiras ( E quiça de prova em processo judicial)rsrs. Eu nunca fui santa e nunca fiz questão de passar por este papel. Nem puta, porque essa é uma atividade comercial a qual eu nunca precisei exercer nem por gosto, nem por necessidade. Apenas uma mulher que já cometeu erros e acertos na vida, como todo mundo. E algo que sempre digo a amigos e pessoas mais próximas, é que não quero apenas envelhecer acumulando conhecimento, quero aprender a ter e fazer uso da sabedoria que os anos me dão oportunidade de conquistar, através das vitórias e dos fracassos. Por isso, tudo pra mim é motivo de reflexão, o que as vezes me faz perder o sono. Por duas vezes tive envolvimento com homens que tinham namoradas (não me orgulho disso, pelo contrário, minha cara cai de vergonha ao tratar do assunto), e a minha experiência provou por A + B, que esse é o tipo de relação que NUNCA dá certo. Pelo pra menos pra mim. Por mais que haja amor sincero, a minha confiança fica extremamente abalada, pois sempre fica a sensação de será feito comigo, o que foi feito com a outra. É uma lei natural: "todo mal que fizeres voltará a ti, multiplicado por 7". Partindo destas experiências ruins ( vergonhosas e humilhantes também), aprendi que amor sem confiança faz mal a saúde física e mental, além de possuir sérios efeitos colaterais, como diminuição do amor próprio e ciúmes descabidos. Acredito que as duas situações foram suficientes pra aprender a lição que a vida quis me dar. Mas que uma coisa fique clara: NUNCA me envolvi com homens casados. E vários são os motivos, entre eles é uma questão de valor moral de respeito a família, algo que se tornou muito mais arraigado depois do divórcio dos meus pais por causa de uma prostituta evangélica ( e esse um assunto difícil pra mim). Não por respeito ao homem ou a mulher, mas muito mais por respeito aos filhos. E como outro motivo, posso citar a fase atual que tenho vivido. Hoje, estou concursada de nível superior no estado em um cargo de confiança do qual me orgulho ter conquistado, solteira, morando sozinha e algo que é muito claro pra mim é que SEXO por SEXO, NÃO me interessa, nem é uma prioridade. Sou muito bem resolvida no que diz respeito a sexualidade, e sem vergonha o suficiente pra dizer que posso ir ( e vou) a um sexyshop comprar brinquedos de tamanhos, cores, sabores e formatos diferentes, que me satisfazem muito mais que uma relação fútil e superficial, com pessoas de caráter duvidoso. Um relacionamento onde eu não possa fazer planos para o futuro, não tem sentido pra mim, pois um dos meus planos atuais inclui filhos ( sim, FILHOS! Chegar aos 30 sem filhos, é algo que me dói no calcanhar, acredite) Mas não quero apenas fazer um filho(s),pois engravidar é fácil. Quero cria-lo ao lado de um parceiro que me daria a segurança de ser um bom pai e marido. E acredite, essa procura é árdua e por vezes muito frustrante. 
Agora, estou sendo acusada injustamente de ter caso com um homem casado. Um amigo, por quem tenho grande estima e carinho, mas com quem nunca tive absolutamente nada, nem mesmo quando ele ainda era solteiro e disponível. Apesar de já ter explicado isto a esposa, parece que a moça se recusa a entender e continua fazendo ameças de agressão física. Sei lá o tipo de relação que eles tem e também pouco me interessa. A questão é que mesmo depois de ter explicado que eu nunca teria envolvimento com um homem casado, ela parece estar decidida a acreditar que ele tem um caso com alguém e que esse alguém sou eu! Bom, colocada as circunstâncias, eu estou achando que vou abrir mão de tudo que eu disse acima e acabar tendo um caso com ele, SIM. Pois se eu tiver que apanhar, que seja por algum motivo justo. Contudo, se o moço for ruim de cama, quem vai apanhar é ela, pra deixar de ficar me arrumando homem que não presta nem pra só pra sexo. Tudo que eu quero é paz mas ainda assim a guerra me persegue. Que o bom senso guie minhas atitudes porque a paciência e a compreensão já esgotaram.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Tudo igual. tsc tsc :P


Um homem tinha 3 namoradas.
Resolveu, então, fazer um teste para ver qual estava mais apta a ser, de fato, sua mulher. 
Tirou R$ 15 mil do banco, deu R$ 5 mil para cada uma e disse: 
- Gastem com o que quiserem. 
A primeira foi ao shopping, comprou roupas, jóias, foi ao cabeleireiro,salão de beleza, etc.. Voltou para o homem e disse: - Gastei todo o seu dinheiro assim para ficar mais bonita para você, para lhe agradar. Tudo isso porque amo você. 
A segunda foi ao mesmo shopping, comprou roupas para ele, um CD player,uma televisão tela plana, dois pares de tênis para jogar basquete, tacos de golfe e filmes pornô. Voltou para o homem e disse: - Gastei todo o seu dinheiro assim para lhe fazer mais feliz, lhe agradar.Tudo isso porque amo você. 
A terceira pegou o dinheiro e aplicou em ações. Em três dias duplicou o investido, retornou os R$ 5 mil para o homem e disse: - Apliquei o seu dinheiro e ganhei o meu. Agora, se eu gastar, não será do seu dinheiro. Tudo isso porque eu amo você. 
Então o homem pensou, Pensou.... Pensou.... Pensou.... Pensou... Pensou.... Pensou.... Pensou Pensou.... Pensou.... Pensou.... Pensou.... Pensou.... 
CALMA!!!! (homens demoram para pensar....)
Pensou.... Pensou..... Pensou. Pensou.... Pensou.... Pensou .. Pensou.... Pensou...... Pensou. Pensou.... 
TÁ QUASE CHEGANDO A UMA CONCLUSÃO!!! 
Pensou.... Pensou .... Pensou.... Pensou.... Pensou.... Pensou ..
E escolheu... 
Aquela que tinha a bunda maior!!!
Homem é tudo igual mesmo!